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Certamente você já ouviu falar sobre o uso de fibrina rica em plaquetas em cirurgias e procedimentos odontológicos, não é mesmo? Mas acredito que você ainda não sabe como ela pode ser fundamental para a regeneração tecidual. 

Os concentrados plaquetários coletados do sangue foram introduzidos há mais de 20 anos, com o objetivo principal de melhorar a cicatrização. Nesse artigo, vamos abordar esse tema detalhando a evolução científica e embasando seu potencial regenerador, tanto para quem já utiliza a técnica, como para quem ainda não conhece os benefícios desse tipo de tratamento.

 

O que é Fibrina Rica em Plaquetas?

A sigla PRF vem do termo Platelet Rich Fibrin, que traduzido para o português é  Fibrina Rica em Plaquetas. O coágulo de PRF é uma estrutura composta por alguns tipos celulares como hemácias, plaquetas e leucócitos; além de uma matriz extracelular de fibrina autóloga e fatores de crescimento.

Os protocolos sofreram uma evolução científica importante, desde o PRP (Plasma Rico em Plaquetas) que se mostrou com algumas limitações e forçou os pesquisadores a investigarem novas modalidades para uma regeneração bem sucedida. O PRP, líquido por natureza, necessitava da adição de anticoagulantes que mais tarde inibiam a ação da fibrina.  Hoje as novas gerações de concentrados sanguíneos são totalmente autólogas, como o PRF. 

 

Como obtemos o PRF?

Para a obtenção desses concentrados, é necessário um procedimento de coleta sanguínea, que pode ser realizado por profissional capacitado e autorizado. Em um acesso venoso periférico, preferencialmente na região da fossa cubital dos braços, é introduzida uma agulha de escalpe e o sangue retirado é condicionado em tubos estéreis e sem aditivos químicos. Posteriormente, os tubos são levados a uma centrífuga específica e calibrada numa força G ideal (velocidade e tempo determinados), para assim separar os tipos celulares por peso molecular, formando então o coágulo de fibrina autóloga (fibrina rica em plaquetas).

 

O que é fibrina?

A fibrina é a forma ativada da molécula de  fibrinogênio e atua na agregação plaquetária durante a hemostasia. Além disso, participa ativamente dos processos inflamatórios e infecciosos, agindo como uma malha tridimensional e matriz extracelular provisória, para o influxo de monócitos, fibroblastos e células endoteliais.

As plaquetas e os fatores de crescimento ficam aprisionados nesta malha de fibrina, sendo liberados ao longo do tempo, com a finalidade de aumentar e potencializar a regeneração tecidual.

 

O que são fatores de crescimento?

Os fatores de crescimento são moléculas bioativas liberadas pelas plaquetas. Eles modulam a migração, a adesão, a proliferação e a diferenciação celular e além disso, regulam todos os  processos inflamatórios e de regeneração do corpo. Podemos encontrar no coágulo de fibrina rica em plaquetas o TGF-B1, PDGF, VEGF, EGF e IGF, que são liberados ao longo de 10-14 dias. 

 

Qual é o mecanismo de ação da fibrina rica em plaquetas?

O tratamento regenerativo em Odontologia é definido como a substituição e/ou regeneração dos tecidos orais perdidos em função de doença ou lesão. Muitas tentativas têm sido feitas nesse campo para reparar com previsibilidade, incluindo estratégias com materiais derivados de aloenxertos, xenoenxertos ou aloplásticos sinteticamente produzidos para regenerar os tecidos hospedeiros. Embora muito promissores, esses materiais criam uma reação de corpo estranho e são osteocondutores por natureza, não fornecendo assim o suprimento necessário para se obter uma regeneração bem sucedida tanto de tecidos moles como de tecidos duros.

Em contrapartida, o conceito de concentrados plaquetários foi desenvolvido para utilizar as proteínas do sangue como fonte de fatores de crescimento capazes de sustentar a angiogênese e a invaginação tecidual, com base na noção de que o suprimento sanguíneo é um pré-requisito para a regeneração. Além disso, por ser um material 100% autólogo, não causa reação de corpo estranho e assim, acelera o processo de cicatrização natural sem gerar resposta imune.

A adição da fibrina rica em plaquetas aos biomateriais, melhora significativamente a angiogênese da ferida e desempenha um papel fundamental na integração ao tecido do hospedeiro.

 

Como posso utilizar o PRF na rotina clínica?

Atualmente, há uma gama de procedimentos em que se pode utilizar o PRF, dentre eles:

  1. Manejo de alvéolo pós-extração: por ser uma matriz natural de fibrina, pode ser usada separadamente substituindo tanto um material de enxertia óssea, quanto uma membrana de barreira;
  2. Levantamento de seio maxilar: pode ser utilizado como único material de enxertia, para reparar a membrana de Schneider e também para fechar a janela de acesso ao seio;
  3. Recobrimento radicular com tecido mole: pode ser utilizado substituindo os enxertos de tecido conjuntivo em recessões gengivais nos defeitos Miller I e II com biótipo espesso;
  4. Regeneração periodontal: pode ser utilizado no tratamento de lesões de furca, ligamento periodontal, regeneração de defeitos intraósseos e na redução da profundidade de bolsas periodontais;
  5. Regeneração dos tecidos moles ao redor de implantes: pode ser utilizado para melhorar a osseointegração e a cicatrização dos tecidos moles periimplantares;
  6. Regeneração óssea guiada: pode ser utilizado individualmente ou em associação com material de enxertia óssea com a finalidade de melhorar o suprimento vascular e estabilidade adicional ao enxerto;
  7. Estética facial: pode ser utilizado em  sua forma líquida como material bio estimulador de colágeno em pacientes com ptose tecidual e no tratamento de linhas de expressão;
  8. Desordens da articulação temporomandibular: também em  sua forma líquida, pode ser utilizado para reparos na ATM e na sintomatologia dolorosa das disfunções.

Conclusão

A tendência em Odontologia tem mudado gradualmente para o uso de materiais mais bioativos, incluindo terapias celulares. A fibrina rica em plaquetas, tem sido utilizada como um biomaterial osteoindutor e osteogênico extremamente fisiológico, seguro e confiável na cicatrização, já que deriva 100% do sangue e é abominado o uso de anticoagulantes externos. Ademais, serve como arcabouço ideal para a regeneração tecidual, com presença de células e liberação controlada de fatores de crescimento.

Portanto, a utilização dessa técnica agrega valor e qualidade dos resultados dos tratamentos e cirurgias clínicas, com preparo simplificado e adequado na rotina diária.

É um tema altamente pesquisado e estudado, com uma ampla abordagem em outras áreas da medicina regenerativa e com excelentes perspectivas atuais e para o futuro.

Ficou com alguma dúvida ou deseja conhecer mais sobre os protocolos de PRF? Entre em contato com nosso time de especialistas e conheça mais sobre essa tecnologia que está inovando a Odontologia.