A ascensão da Implantodontia trouxe um aumento significativo das cirurgias de instalação de implantes e, embora a taxa de sucesso seja consideravelmente alta, implantes em função podem apresentar infecções peri-implantares, a famosa periimplantite. Se você é cirurgião dentista, certamente já se deparou com algum caso assim e teve inseguranças quanto ao tratamento. O artigo que vamos apresentar hoje tem como objetivo sanar possíveis dúvidas e explicar o que é a periimplantite.
Periimplantite: o que é?
O termo peri implantite foi introduzido ao final da década de 1980 para designar um desequilíbrio que ocorre normalmente entre o hospedeiro e a microbiota oral. É um processo inflamatório que afeta os tecidos ao redor do implante e está associado à reabsorção óssea, o que posteriormente pode levar a perda do implante. O fator etiológico dessa patologia é a colonização de bactérias na superfície do implante e no sulco periimplantar, mas o seu desenvolvimento não ocorre somente por causa da microbiota, mas sim como resultado de uma complexa interação entre microrganismos e fatores do hospedeiro, como história de doença periodontal e sobrecarga oclusal.
Os implantes em indivíduos parcialmente desdentados são mais facilmente suscetíveis à colonização de bactérias se houver presença de bolsas periodontais em outros locais da cavidade bucal. Portanto, tem sido sugerido que pacientes que tiverem inadequada higiene bucal e focos de periodontite (leia mais em “Periodontite: o que é“) não são candidatos a tratamentos com implantes.
Quais são os sinais e sintomas?
A periimplantite se apresenta clinicamente com dor, sensação de corpo estranho, inflamação, hiperplasia gengival, sangramento e/ ou supuração à sondagem, bolsa periimplantar com profundidade de sondagem e mobilidade do implante.
Alguns fatores de risco têm sido identificados em numerosos estudos associados com a progressão da doença, como fumo, doenças sistêmicas e medicações, doenças locais, deficiente higiene oral por parte do paciente, diferentes superfícies de implantes e localização do implante.
A periimplantite é definida como uma profundidade de sondagem maior que 4 mm, associado com sangramento e/ou supuração, e perda óssea maior ou igual a 2mm.
Como diagnosticar?
Existem alguns parâmetros em que podemos basear o diagnóstico, dentre eles:
- Sondagem periimplantar: é possível avaliar a profundidade de sondagem, distância entre a margem gengival e um ponto de referência do implante, sangramento após sondagem, resistência dos tecidos à sondagem, exsudação e supuração.
- Avaliação radiográfica: pode-se avaliar a preservação da altura do osso marginal, que é considerada como crucial na manutenção do implante e é geralmente utilizada como principal critério de sucesso para os sistemas de implantes. Normalmente é encontrada uma imagem radiolúcida em forma de taça ao redor do implante.
- Avaliação clínica: pode-se avaliar uma possível exposição das roscas envolvidas na destruição óssea. A perda óssea encontrada com o desenvolvimento da infecção peri implantar resulta em defeito ósseo e perda de sustentação.
Como é o tratamento?
Na literatura há diversas evidências sobre o tratamento da periimplantite, em que são descritas diferentes técnicas e protocolos. Uma vez diagnosticada a periimplantite, o profissional pode ter como opções de tratamento os métodos de tratamento não-cirúrgico e/ou tratamento cirúrgico, visando encontrar o que mais se adequa à situação clínica apresentada pelo paciente. Em alguns casos, pode ser instaurado um sistema de terapia sequencial de acordo com a extensão da progressão da doença.
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Tratamento não-cirúrgico:
- Desbridamento Mecânico: pacientes com evidente acúmulo de biofilme ou cálculo, tecido periimplantar inflamado, sem supuração e com profundidade de sondagem menor ou igual a 3mm. Os implantes podem ser mecanicamente higienizados com instrumentos rotatórios ou manuais e pasta de polimento.
- Terapêutica anti séptica: pacientes com placa bacteriana, sangramento à sondagem e profundidade entre 4 a 5mm. A redução da colonização de bactérias na bolsa peri implantar pode ser realizada com solução de digluconato de clorexidina a 0,2% e pode ser prescrita para bochechos diários ou em gel para a aplicação local.
- Terapêutica antibiótica: pacientes com sangramento à sondagem, profundidade maior ou igual a 6mm, supuração presente ou não e lesão evidente radiograficamente mas com uma perda óssea menor ou igual a 2mm. O tratamento pode incluir a utilização de antibiótico para reduzir ou mesmo eliminar as bactérias patogênicas, permitindo a cicatrização do tecido mole.
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Tratamento cirúrgico:
- Cirurgias ressectivas: são caracterizadas por eliminação da bolsa, desbridamento em campo aberto, nivelamento dos defeitos ósseos periimplantares e/ou posicionamento apical do retalho quando necessário. São realizados o alisamento e o polimento das roscas dos implantes, visando reduzir a profundidade de sondagem e obter uma situação favorável à higiene.
- Cirurgia regenerativas: são caracterizadas por terem como objetivo a recuperação do osso de suporte perdido com o aumento vertical da crista óssea, com as técnicas de enxertos e regeneração óssea guiada (confira mais em “Regeneração óssea guiada”) . A quantidade de osso formado pela terapia regenerativa depende da morfologia do defeito ósseo, da capacidade de manutenção do espaço e do tempo de permanência da membrana.
Conclusão
Diante do exposto, a peri implantite tem etiologia multifatorial e o biofilme bacteriano tem efeito prejudicial na saúde do tecido periimplantar.
O diagnóstico precoce parece se apresentar como fator importante no sucesso do tratamento e permanência do implante. A avaliação dos parâmetros de sondagem, como profundidade, sangramento e presença de supuração, além de uma criteriosa interpretação dos exames radiográficos são imprescindíveis para um correto diagnóstico, assim como a análise dos fatores de risco dos pacientes.
O tratamento e o prognóstico não são previsíveis, sendo necessário enfatizar um eficiente controle de biofilme nos pacientes submetidos à instalação de implantes.
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