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Um cirurgião bucomaxilofacial é um profissional altamente especializado que realiza procedimentos cirúrgicos no campo da odontologia e da cirurgia oral e maxilofacial. No Brasil, a Cirurgia Bucomaxilofacial (CBMF) é reconhecida como uma especialidade odontológica e sua área de atuação abrange uma variedade de condições e tratamentos relacionados à boca, face, cabeça e pescoço. Neste artigo, vamos abordar de forma mais detalhada as principais áreas de atuação e procedimentos realizados por um cirurgião bucomaxilofacial.

Formação

No Brasil, os cirurgiões bucomaxilofaciais têm formação em Odontologia, porém  pode variar dependendo do país e do sistema educacional e de saúde em questão. Os cirurgiões bucomaxilofaciais são dentistas com especialização em cirurgia bucomaxilofacial. Eles se formam em odontologia e, em seguida, prosseguem para um programa de residência em cirurgia bucomaxilofacial.

Durante esse período, eles recebem treinamento em cirurgia oral e maxilofacial, anatomia da cabeça e pescoço, medicina e anestesiologia. Ao concluir a residência, eles podem obter o título de especialista em cirurgia bucomaxilofacial e estão aptos a realizar procedimentos cirúrgicos orais e maxilofaciais, além de lidar com condições mais complexas e extensas.

Cirurgião bucomaxilofacial: Histórico e áreas de atuação

No Brasil, a história da Cirurgia Bucomaxilofacial (CBMF) como especialidade odontológica se fortaleceu por volta da década de 1940 e foi regularizada pelo CFO, em 1964. Com o passar do tempo, o cirurgião bucomaxilofacial passou a compor a equipe nos hospitais de emergência e rotina do Brasil. O trauma facial, a cirurgia oral, as osteotomias de face, e o tratamento de lesões benignas bucais e dos maxilares se tornaram procedimentos tradicionais do cirurgião bucomaxilofacial e também outras áreas de atuação, como:

  1.  Patologia oral e tratamento cirúrgico das lesões patológicas que afetam a região maxilofacial: os cirurgiões bucomaxilofaciais são capacitados para diagnosticar e tratar cistos orais, tumores benignos e malignos que afetam a região oral, a mandíbula, a maxila e outras áreas da cabeça e pescoço. Isso inclui a remoção cirúrgica dessas lesões e, em casos mais complexos, a reconstrução das estruturas afetadas;
  2. Cirurgia dentoalveolar: os cirurgiões bucomaxilofaciais são especializados na remoção de dentes inclusos, como os terceiros molares, que muitas vezes não conseguem erupcionar corretamente e podem causar incômodo e  outros problemas;
  3. Cirurgia pré-protética, incluindo a Implantodontia: eles estão habilitados a realizar a colocação de implantes dentários, que são inseridos cirurgicamente na maxila ou mandíbula para substituir dentes ausentes. Os implantes fornecem uma base para uma futura instalação de próteses e/ou coroas dentárias;
  4. Tratamento cirúrgico e não-cirúrgico das disfunções temporomandibulares: a ATM é a articulação que permite a abertura e fechamento da boca. Cirurgiões bucomaxilofaciais podem realizar cirurgias para tratar distúrbios da ATM, como deslocamentos, discos articulares danificados ou degeneração articular.
  5. Traumatologia bucomaxilofacial (tecidos duros e moles): os cirurgiões bucomaxilofaciais tratam lesões faciais resultantes de acidentes, quedas, agressões ou outros tipos de traumas , como fraturas ósseas faciais, lacerações nos tecidos moles, lesões dentárias e outros danos causados pelo trauma.
  6. Cirurgia ortognática: envolve a correção cirúrgica de deformidades faciais e dentofaciais, como desalinhamento da mandíbula ou maxila. A cirurgia ortognática visa melhorar a função mastigatória, a estética facial e também a respiração;
  7. Tratamento cirúrgico de malformações congênitas, incluindo a fissura labiopalatal: o tratamento da fissura labiopalatal envolve uma abordagem multidisciplinar e geralmente requer intervenção cirúrgica. O objetivo principal do tratamento é corrigir a fenda, restaurar a função normal do lábio e do palato, melhorar a estética facial e promover o desenvolvimento adequado dos ossos faciais e dos dentes;
  8. Cirurgia craniofacial, cirurgia estética da face e cirurgia reconstrutiva local: quando ocorre a perda de tecidos faciais devido a traumas, remoção de tumores ou outras condições, os cirurgiões bucomaxilofaciais podem realizar procedimentos de reconstrução facial para restaurar a função e a estética.

A cirurgia ortognática

A cirurgia ortognática é outra área em que os cirurgiões bucomaxilofaciais desempenham um papel fundamental. Ela é constituída de técnicas de osteotomias realizadas no sistema mastigatório com o objetivo de corrigir as discrepâncias relacionais maxilares e, por conseguinte, estabelecer o equilíbrio entre a face e o crânio.

A relação maxilo-mandibular corrigida pela cirurgia ortognática favorece a função mastigatória, a fonética, a respiração e a estética facial. Portanto, muitas implicações estão envolvidas neste tratamento cirúrgico, pois as mudanças faciais repercutem na vida pessoal e social do indivíduo, e por vezes o componente psicológico do paciente deverá ser preparado para receber um procedimento cirúrgico de tal magnitude.

A cirurgia ortognática é um tratamento que não se resume apenas ao ato cirúrgico e sim a um trabalho prévio de preparação de 18 a 24 meses, onde estará incluído o tratamento ortodôntico, fonoaudiológico e psicológico. Realizada a cirurgia, segue o tratamento ortodôntico por mais 8 a 12 meses para os ajustes finais e o acompanhamento dos outros profissionais por tempo indeterminado.

Portanto, a complexidade do tratamento exige uma interação, entre os profissionais e o paciente, de confiança e cumplicidade para se chegar ao objetivo final de satisfação do paciente com relação à função e à estética.

Tipos de má-oclusão

A relação entre os dentes é chamada de oclusão. Em uma oclusão normal, cada arco dentário tem uma curva na qual os dentes da arcada superior devem estar posicionados em harmonia com os da arcada inferior. Portanto, a má-oclusão pode ser definida como a disposição dos dentes no arco dentário e a relação destes com as bases ósseas e as estruturas relacionadas de forma diferente da oclusão normal e pode ser classificada em classe I, II (divisão 1 e 2) e III.

Classe I: Também conhecida como oclusão normal, é caracterizada pelo relacionamento correto dos primeiros molares superiores e inferiores. Os dentes anteriores também estão alinhados corretamente. No entanto, problemas como apinhamento dentário, diastemas (espaços entre os dentes) ou desvios de mordida podem estar presentes, mesmo com a oclusão de Classe I.

Classe II: Nesse caso, os primeiros molares superiores estão posicionados mais anteriormente em relação aos primeiros molares inferiores. A Classe II pode ser subdividida em Classe II divisão 1 e Classe II divisão 2, com características diferentes.

  • Classe II divisão 1: Os dentes anteriores superiores estão projetados para a frente (proeminentes), enquanto os dentes inferiores podem estar retruídos ou inclinados para trás.
  • Classe II divisão 2: Os dentes anteriores superiores estão retruídos (inclinados para trás), resultando em uma aparência facial diferente em comparação com a Classe II divisão 1.

Classe III: Nesse caso, os primeiros molares superiores estão posicionados mais posteriormente em relação aos primeiros molares inferiores. A mandíbula inferior está mais avançada em relação à maxila, resultando em uma mordida cruzada anterior.

Esses são apenas alguns dos tipos de má oclusão mais comuns. Cada caso é único, e o tipo de má oclusão pode variar em termos de gravidade e características específicas. O tratamento da má oclusão geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar, com a participação de ortodontistas, cirurgiões bucomaxilofaciais e outros profissionais da área odontológica para determinar o plano de tratamento mais adequado para cada paciente.

Considerações Finais

Os cirurgiões bucomaxilofaciais são profissionais qualificados que possuem um amplo conhecimento em odontologia e cirurgia, o que lhes permite fornecer cuidados abrangentes e especializados aos pacientes. Para se tornar um cirurgião bucomaxilofacial, é necessário obter uma formação acadêmica extensa, seguida de residência ou especialização em cirurgia bucomaxilofacial, a fim de adquirir as habilidades e conhecimentos necessários para realizar esses procedimentos com segurança e eficácia. Esses profissionais desempenham um papel fundamental no tratamento de uma variedade de condições, visando melhorar a saúde bucal, a função mastigatória, a estética facial e a qualidade de vida dos pacientes.

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