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Durante muitos anos os implantes de titânio foram vistos como padrão-ouro na implantodontia, porém diante de algumas desvantagens desses implantes em áreas estéticas específicas e a crescente incidência de alergias ao titânio, a indústria, juntamente com a comunidade científica, se deparou com a necessidade de ter um substituto eficaz no tratamento destes casos. O implantes de zircônia tem uma coloração semelhante aos dentes, além de apresentar excelente biocompatibilidade e integração tecidual, baixa afinidade à placa e propriedades biomecânicas favoráveis. Atualmente existem diversos estudos publicados que indicam uma  ótima opção de tratamento para casos em áreas estéticas. Vamos conhecer um pouco mais sobre esse implante que trás um novo conceito para a Odontologia?

 

Implantes dentários, o que são?

Restaurar a saúde bucal do paciente acometido pela perda dentária sempre foi um  grande desafio, principalmente pela crescente necessidade de reposição desses dentes perdidos. Com essa demanda, surgiu a Implantologia como ciência, graças às constatações de Branemark sobre a osseointegração.

Os implantes dentários são dispositivos de fixação ao osso, que dependem de um processo chamado de osseointegração, que está associado às respostas celulares resultantes da formação de osso junto à superfície dos implantes, e dependem de fatores como: condições do hospedeiro, técnica cirúrgica, biocompatibilidade, design do implante, características da superfície e controle de cargas após a instalação.

A osseointegração inovou a Odontologia e trouxe benefícios em relação aos tratamentos convencionais como a preservação dos dentes remanescentes, melhor retenção e estabilidades às reabilitações, com resultados previsíveis e estáveis ao longo do tempo. Mesmo o índice de sucesso sendo alto, acima de 90%, algumas falhas poderão ocorrer quando associadas aos fatores de risco para o implante.

Implantes de titânio

A biocompatibilidade do implante de titânio apoiou-se no sucesso da osseointegração e dominou o pensamento clínico.  Inicialmente observou-se que o titânio era o material mais indicado na confecção de implantes pelas suas propriedades físicas e biológicas, como módulo de elasticidade relativamente baixo, boa resistência à fadiga, usinabilidade, conformabilidade e elevada resistência à corrosão. 

Porém, alguns dados sobre a contribuição do titânio com a doença peri-implantar e a toxicidade desse tipo de metal foram documentados na literatura, e a busca por materiais alternativos aumentou. Os padrões estéticos se elevaram e o titânio, que apresenta uma coloração escura, pode acinzentar as gengivas pela translucidez da mesma e tirar a estética natural da gengiva, levou a proposta da cerâmica como possível substituto. 

Implantes de zircônia

Na última geração, uma maior demanda por restaurações livres de metal ampliou a busca por um novo material para confecção de implantes. Um dos materiais é a zircônia tetragonal policristalina estabilizada por ítrio, uma cerâmica com excelentes propriedades mecânicas.

Essa cerâmica apresenta uma coloração semelhante à cor dos elementos dentais naturais, característica que é primordial em reabilitações estéticas, possibilitando a transmissão de luz na área de interação entre o tecido gengival e os componentes protéticos.

Além disso, apresenta alta resistência à corrosão e ao desgaste, módulo de elasticidade similar ao titânio, excelente resistência à flexão, ótima tenacidade a fratura, grande radiopacidade, pouca condução térmica e excelente biocompatibilidade.

Pesquisas pré-clínicas demonstraram ótimos resultados dos implantes fabricados em zircônia quando submetidos à reprodução de esforços mastigatórios. Em pesquisas histológicas realizadas em animais, em comparação aos implantes de titânio, os implantes de zircônia demonstram resultados biológicos satisfatórios, com pouco acúmulo de placa e promovendo uma menor reação tecidual do que o titânio.

Sobre a compatibilidade com os tecidos moles peri-implantares, a adesão do tecido mole com a zircônia garante uma barreira inicial eficaz que irá proteger o osso de forma mais eficiente do contato com o ambiente externo, o que resulta na diminuição da reabsorção do osso marginal.

Sistemas de implantes de zircônia

Implantes de zircônia podem ser fabricados em modelos de componente único e dois componentes. Sistemas de componente único são aqueles que não necessitam de pilares. A parte transmucosa dos implantes de componente único é integrada ao corpo do implante. Sistemas de dois componentes apresentam uma parte que é inserida durante a primeira etapa da cirurgia e uma parte transmucosa que é unida ao implante durante um segundo procedimento.

A utilização de implantes de componente único permite um procedimento cirúrgico sem retalho, minimamente invasivo e com o benefício da preservação dos tecidos moles. 

O sistema de dois componentes é preferível quando a estabilidade do implante não é alcançada na colocação do implante. Além de permitir o procedimento de regeneração óssea guiada, os implantes de dois componentes minimizam a transmissão de cargas indesejadas durante a fase de cicatrização.

Conclusão

A literatura indica que os implantes de zircônia são altamente biocompatíveis e possuem propriedades mecânicas suficientes para serem utilizados como substitutos aos implantes de titânio tradicionais.  Os resultados das pesquisas a respeito do uso da zircônia como matéria base na fabricação de implantes são promissores, embora estudos clínicos a longo prazo devam ser realizados para aumentar sua aceitabilidade clínica e avaliar sua longevidade na cavidade bucal.

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