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Se você é um cirurgião-dentista, certamente já se deparou com recessões gengivais e sabe que é um desafio o tratamento das mesmas. Elas representam um dos aspectos clínicos da perda de inserção periodontal e trazem como consequência o comprometimento estético dos pacientes, hipersensibilidade dentinária e dificuldades no controle de placa. O objetivo deste artigo é discorrer sobre o que são as recessões gengivais, quais são suas classificações e como tratá-las. Vamos lá?

 

Doença periodontal

A doença periodontal é um processo patológico que acomete as estruturas periodontais de proteção e/ou de sustentação e o seu agente etiológico principal são os microrganismos presentes na placa dentária, existentes sob a forma de biofilme. A perda de inserção clínica pode ser representada pela bolsa periodontal ou pela recessão gengival, que é descrita como o deslocamento da margem gengival apicalmente em direção à junção cemento-esmalte, podendo ser localizada ou generalizada e estar vinculada a uma ou mais superfícies. 

 

Recessões gengivais

A causa das recessões gengivais é multifatorial. Em conjunto com o biofilme bacteriano dentário e decorrente de inflamação gengival, podem atuar: a oclusão traumatogênica, o trauma de escovação ou da inserção alterada do freio labial, as características anatômicas relacionadas ao posicionamento dentário, a espessura da gengiva marginal e a altura da faixa de mucosa ceratinizada e tecido ósseo subjacente.

 

Classificação das recessões gengivais

As recessões gengivais podem ser divididas em:

  1. Classe I: recessão gengival que não ultrapassa a junção mucogengival, sem perda óssea ou de tecido mole interdental e com previsibilidade de 100% de cobertura radicular; 
  2. Classe II: recessão gengival que se estende até ou além da junção mucogengival, sem perda de osso ou de tecido mole interdental e com previsibilidade de 100% de cobertura radicular; 
  3. Classe III: recessão gengival que se estende até ou além da junção mucogengival, com perda óssea ou de tecido mole interdental moderada, pode estar associada com mau posicionamento dos dentes e a previsibilidade da cobertura radicular é parcial; 
  4. Classe IV: recessão gengival que se estende além da junção mucogengival, a perda dos tecidos interdentais é severa e a cobertura radicular não é previsível.

 

Tratamentos

O tratamento para recessões gengivais podem ser:

  1. Associação da manutenção periodontal a ajustes oclusais;
  2. Reorientações na escovação dentária e controle do biofilme dental;
  3. Procedimentos restauradores e cirúrgicos.

 

Existem inúmeras técnicas descritas na literatura, com diferentes graus de complexidade e resultados. A seleção da técnica mais adequada para cada caso vai depender de vários fatores, como a profundidade da recessão, a quantidade de gengiva queratinizada e o biotipo gengival.

Atualmente, há uma procura crescente por parte dos pacientes em relação às técnicas de cirurgia plástica periodontal, que permitem melhorar ou restabelecer o sorriso.

Dentre as cirurgias ou plásticas periodontais podemos citar os enxertos, que são utilizados para o recobrimento radicular, sendo divididos em:

  1. Autógenos (enxertos gengivais livres e de tecido conjuntivo) e 
  2. Xenógenos (matrizes de colágeno).

 

O enxerto de tecido conjuntivo, apresenta resultados excelentes e previsíveis em recessões Classe I e II, além da possibilidade de aumento da faixa de mucosa ceratinizada, podendo ser obtido do palato ou da tuberosidade.

 

Complicações do enxerto de tecido conjuntivo

O enxerto de tecido conjuntivo apresenta resultados estéticos satisfatórios no tratamento das recessões gengivais, no entretanto, pode ocorrer uma resposta desfavorável na cicatrização do enxerto, com formação tecidual mais volumosa, promovendo alterações do contorno gengival. A espessura insuficiente dos tecidos em palatos atrésicos pode limitar o recobrimento de recessões múltiplas. Possíveis variações anatômicas do palato também podem acarretar o seccionamento de vasos calibrosos, implicando em sangramento excessivo.

Uso do PRF no tratamento das recessões gengivais

O enxerto  de  tecido  conjuntivo  subepitelial  ser  obtido  do  palato  ou  da tuberosidade  da  maxila, pode  aumentar  a  morbidade  do paciente  no  pós operatório    pela  necessidade  de  realização  de  um  segundo  sítio  cirúrgico  para a obtenção do enxerto,  podendo  aumentar  também  os  riscos  de  complicações.

Diante   disso,   com   o   intuito   de   aumentar   o   conforto   do   paciente   no   pós-operatório, estão sendo propostas diversas abordagens terapêuticas adicionais para o recobrimento radicular, como o  uso da matriz dérmica acelular, da  matriz de colágeno, de  proteínas  derivadas  da  matriz  do  esmalte e também a utilização de derivados plaquetários, a Fibrina Rica em Plaquetas (PRF).

A Fibrina Rica em Plaquetas é uma matriz autóloga a qual é composta por uma rede de fibrina com  um  concentrado  de  plaquetas  e  leucócitos,  citocinas  e fatores de crescimento. Considerando  as  propriedades  da  membrana  de  PRF,  diversas são as aplicações desse biomaterial, podendo citar o levantamento de seio maxilar, o preenchimento de alvéolos pós exodontias, em cirurgias  para  instalação  de  implantes, e recentemente em recobrimentos radiculares.

Devido às propriedades de  acelerar a cicatrização tecidual por meio do controle do processo inflamatório, da liberação gradativa de citocinas e de fatores de crescimento, do estímulo da síntese de fibroblastos e de colágeno, e também da estimulação da angiogênese e da migração epitelial, encontrou-se uma  aplicabilidade em associação ao retalho posicionado coronalmente em procedimento de recobrimento radicular. Em alguns estudos, houve  um  aumento na cobertura  radicular  e  na  espessura  do  tecido  queratinizado, sendo  esse um fator importante  para  a manutenção  da  saúde  gengival  e  prevenção  da  progressão  da  doença  periodontal.

Considerações Finais

Em conclusão, inúmeras são as possibilidades de tratamento das recessões gengivais, podendo ser cirúrgicas ou não. Vários fatores vão influenciar na escolha do tipo de tratamento, e para cada paciente, um plano de tratamento individualizado deverá ser realizado. Sabemos que o enxerto de tecido conjuntivo promove ganho clínico de inserção, de tecido queratinizado e recobrimento radicular, representando uma alternativa viável e previsível. Podemos ressaltar também, as membranas de PRF, que devido às suas propriedades, se mostra eficaz na cicatrização dos recobrimentos radiculares e proporciona, em alguns casos, um aumento na espessura da gengiva  queratinizada, podendo  então ser  sugerida  como  uma complementação no tratamento  das recessões gengivais.

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