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A rotina clínica odontológica é composta por uma diversidade de pacientes muitas vezes saudáveis e sem alterações sistêmicas, mas também por pacientes acometidos com doenças graves que alteram a microbiota e a composição da cavidade oral. Em casos de patologias como o câncer, é muito frequente o aparecimento da mucosite, pois a alteração da mucosa pode permitir a entrada de bactérias e deixar um ambiente passível de sofrer infecções secundárias e comprometer o estado de saúde geral do indivíduo em tratamento. O presente artigo visa discutir os impactos que a mucosite pode trazer e os tratamentos.

O que é mucosite?

A mucosite oral é um dos efeitos colaterais ocasionados pela radioterapia e quimioterapia durante o tratamento de pacientes com câncer, principalmente quando a doença atinge a região de cabeça e pescoço. As medicações usadas nesses tratamentos não são capazes de diferenciar as células do tumor e as células normais, resultando no aparecimento de efeitos colaterais, os quais dependem do agente quimioterápico, da dosagem, da duração do tratamento e da resposta individual.

 

Quais são os sinais e sintomas?

Manifesta-se clinicamente como lesões inflamatórias, que evoluem para lesões ulceradas, com sensibilidade que varia de um simples incômodo à dores intensas e podem acometer toda a mucosa bucal, gerando dor e desconforto, prejudicando a fala, a deglutição e a alimentação. Além da sintomatologia, as ulcerações aumentam o risco de infecção local e sistêmica, comprometem a função bucal e levam à diminuição significativa da qualidade de vida.

 

Classificação da mucosite

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a mucosite pode ser classificada  de acordo com a severidade da mesma, estabelecendo constituído por cinco graus:

  1. grau zero: mucosa com aspecto normal;
  2. grau um: presença de eritema e ardor;
  3. grau dois: representa a ocorrência de eritema, úlceras pouco extensas e capacidade do paciente para ingerir alimentos sólidos;
  4. grau três: caracteriza a presença de úlceras pouco extensas e capacidade de ingerir apenas alimentos líquidos;
  5. grau quatro: categoriza a presença de úlceras extensas e impossibilidade de deglutição.

A mucosite induzida por radioterapia e quimioterapia também pode ser dividida em quatro fases distintas: vascular, epitelial, ulcerativa e de reparo.

  1. Na fase vascular ocorre aumento da vascularização subepitelial e liberação de citocinas pró-inflamatórias pelo tecido conjuntivo;
  2. Na fase epitelial, ocorre diminuição da proliferação de queratinócitos, induzindo atrofia epitelial;
  3. Na fase ulcerativa, como consequência da diminuição da proliferação celular, ocorre atrofia do epitélio e exposição do tecido conjuntivo;
  4. Após a fase ulcerativa, o epitélio é restaurado devido aos eventos de proliferação e diferenciação.

 

Prevalência da mucosite

Estatísticas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) em 2018, estimaram que novos casos no ano de 2018 foram de 14.700, sendo 11.200 homens e 3.500 mulheres. Observa-se que o sexo feminino, por estar mais propenso ao câncer, apresenta maior suscetibilidade aos efeitos adversos do tratamento. Pacientes mais velhos apresentam também maior risco, devido à dificuldade de reparação tecidual.

Segundo estudos, a mucosite induzida por radioterapia acomete praticamente todos os pacientes submetidos à radiação na área de cabeça e pescoço. Em relação à classificação da mucosite, verificou-se que a quimioterapia isolada predomina nos pacientes com formas mais leves, e a radioterapia mais comum nas formas severas. Alguns dados apresentados na literatura atestam a ocorrência da mucosite oral, variando de 40% a 76%, em pacientes submetidos à quimioterapia e atingindo 90% quando há associação com radioterapia.

 

Abordagem do cirurgião dentista

Ter um dentista na equipe interdisciplinar do tratamento oncológico é importante para prevenção de complicações, pois o exame extra e intrabucal e as intervenções odontológicas antes do início do tratamento oncológico ajudam no controle dos efeitos colaterais agudos, que podem levar à necessidade da interrupção do tratamento.

Devem ser realizados tratamentos das lesões de cárie, com a remoção de todo tecido cariado e a colocação de cimentos de ionômero de vidro, adequando o meio bucal. Extração de dentes não passíveis de restauração, remoção dos processos inflamatórios e infecciosos e controle da doença periodontal, também estão incluídos nesse processo.

 

Prevenção e tratamento da mucosite

Os tratamentos para a mucosite envolvem terapêuticas profiláticas e tentativas de atenuar a dor do paciente, esperando atingir o melhor prognóstico.

A literatura aponta vários agentes para prevenção  da mucosite oral decorrente da terapêutica antineoplásica, sendo a primeira a manutenção da higiene oral. Quanto ao tratamento, observa-se que o laser de baixa potência, a crioterapia e a utilização do gluconato de clorexidina a 0,12% são excelentes opções.

O gluconato de clorexidina a 0,12% é um agente antimicrobiano muito utilizado, e apesar de não impedir a ocorrência da mucosite, causa a diminuição na severidade do quadro clínico em casos de lesões menores de mucosite.

A crioterapia envolve a dissolução de fragmentos de gelo na cavidade oral antes e após a administração de quimioterápicos. A intenção é minimizar o efeito citotóxico sobre a mucosa pela diminuição da circulação sanguínea durante os elevados picos do quimioterápico no sangue.

Já a laserterapia, é conhecida pela habilidade de possuir efeitos biológicos, como a diminuição da dor e a ação moduladora da inflamação. A capacidade de modular uma gama de eventos metabólicos por meio de processos fotofísicos e bioquímicos explica os efeitos dessa modalidade terapêutica. A energia do laser é absorvida apenas por uma fina camada de tecido adjacente além do ponto atingido pela radiação. Os lasers de baixa intensidade aumentam o metabolismo celular e  atuam como analgésicos e anti-inflamatórios e reparadores da lesão mucosa. Há também a produção de colágeno, elastina e a revascularização e contração da ferida, que aceleram o processo cicatricial.

 

Conclusão

O paciente com mucosite sofre com desconforto, dificuldade de fala e deglutição e ainda está suscetível a infecções secundárias sendo portanto, um quadro sensível que deve haver um olhar especial do dentista na abordagem multidisciplinar, podendo proporcionar um pré-tratamento e acompanhamento das lesões causadas pela mucosite, visando diminuir a dor, o incômodo e o estímulo ao autocuidado.

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